Reimaginar o Natal

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Marcos Fellipe – Diretor de Comunicação

Apesar de todo o apelo do mercado que traz novos significados e impõe novas tradições ao Natal, a data marca o nascimento de um Rei sem trono, sem-terra, nascido num pasto de uma pequena cidade periférica, Nazaré, na periferia da periferia.

Apesar de toda a tradição sedimentada há milênios pela visão de mundo eurocêntrica pela teologia, pela filosofia de matriz branca que representa Jesus em uma condição sublime ao redor de belos bichinhos, o Natal representa a resistência do povo que teima em vencer as precárias condições de vida, desde o nascimento.

Não é difícil reimaginar o rosto de Maria, agredido pelo sol desértico do oriente médio em uma peregrinação imposta pelos poderosos de sua época. Também não é tão complicado imaginar a angústia de José que dias depois conduziria sua família em fuga ao Egito, para salvaguardar a vida do Deus menino, agora também refugiado.

Apesar das belas e profundas imagens e mensagens da espiritualidade cristã hegemônica de matriz branca não precisamos nos esforçar muito para reimaginar que no mistério da encarnação há espaço para outras espiritualidades cristãs e não-cristãs, não hegemônicas, periféricas, que celebram no Natal a resistência do povo mais pobre, a vitória dos que insistem em viver sobre os que constroem políticas públicas de morte, como o genocida Herodes. Não há dificuldades para reimaginar no Natal a inauguração de um Reinado utópico da partilha, da solidariedade e da paz que sobrepõe e vence governos que favorecem o acumulo ao invés da partilha, a competição no lugar da solidariedade e a guerra e o ódio ao invés da paz.

Nesse espírito, a Asprolf deseja a todas, todes e todos, cristãos e não cristãos, de fé ou ateus um Natal de paz, de luz, de reestabelecimento de forças e esperanças para nossas lutas diárias por justiça e para a construção de um mundo melhor para todas, todes e todos.

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